Você já sentiu medo e coragem ao mesmo tempo?

Vida no exterior e medo

Já sentiu aquela mistura de sensações que fica difícil definir, onde começa uma e acaba a outra?

Emoções, por mais contraditórias que pareçam ser, podem coexistir. Uma não necessariamente anula a outra.


Eu posso sentir medo e animação, ter medo e curiosidade pelo diferente ao mesmo tempo, estar com medo e ir, eu posso fazer ainda que sinta medo.  


Em diversas situações é coerente sentir medo. O novo, o desconhecido e a mudança, nos desestabiliza e nos faz questionar muita coisa. É NORMAL. A vida está cheia de oportunidades, reviravoltas e imprevistos.

Uma mudança de país, iniciar um curso, se dar a chance de conhecer pessoas novas, iniciar um relacionamento amoroso, tirar um projeto de trabalho do papel, aproximar-se mais de pessoas de uma outra cultura, perder o emprego, buscar um novo apartamento para morar… Poderia facilmente seguir ilustrando situações específicas que, eu e você, já nos deparamos ou que ainda nos aguardam na nossa vida fora do Brasil. Na reinvenção de uma vida praticamente do zero.

Sentir medo e não paralisar

Você já pensou que aquela pessoa, que considera corajosa, não sentia medo?


Lembro das vezes que eu me mudei de país. Do meu primeiro intercâmbio em uma universidade na Argentina e do momento em que minha vida toda coube em algumas malas que foram parar do outro lado do oceano na Espanha, comigo e com meus sonhos. E um medo de arrepiar.

Eu sei, o medo é uma força bem poderosa e cheia de ideias ruins. 

Medo do que os outros vão dizer, medo de que não vai dar certo, medo do que se pode perder, medo de não estar fazendo a melhor escolha, medo do que pode acontecer. Não quero diminuir seu medo não. 

Quero convidar você a se perguntar: que emoções mais estão aqui em mim?

Dê espaço, observe, se conheça mais.

Eu também senti uma excitação gostosa por estar ali completamente sozinha, sem nunca ter entrado naquele continente antes, para ir morar naquela onde seria a minha cidade por pelo menos alguns anos. Onde eu tinha escolhido, ou mais bem apostado todas as fichas que tinha. Uma curiosidade instigante, um misto de confiança e ansiedade, me senti extremamente vulnerável, e também livre e alegre pelo privilégio.

As emoções são respostas a estímulos que envolvem nosso corpo, nossa mente e nossos comportamentos. 

Aprender a reconhecer nossas emoções e senti-las plenamente é um exercício.

Separa uns minutos aí e mentaliza essa emoção. Conheça.

Qual é a sensação de sentir medo? Em que parte do seu corpo se localiza o medo? É um frio na barriga, uma dor de estomago, uma queimação nas costas, um peito apertado, uma respiração curta?

Como é se sentir excitada, animada, curiosa e entregue para a novidade? Como seu corpo reage a isso? O corpo se abre, solta a tensão e se prepara?

Em situações contínuas de estresse nosso corpo desaprende a sentir emoções mais agradáveis. 

O que queremos dizer com tudo isso é que é bem provável que o medo acompanhe você por um tempo. 

Estranho seria não sentir medo

Ou que preocupações não viessem a mente.

Lembro que escutei muito das pessoas da minha cidade de origem, no interior do Rio Grande do Sul, “como tu é corajosa” e eu pensava: é, sou corajosa e medrosa. Quando me mudei de mala e cuia para Barcelona. Na verdade, não coube nem a cuia haha 

Senti medo antes, durante e ainda. A única diferença é que esse medo não me impediu de ir. Ele não me travou em direção ao que eu quero para mim. 


Recentemente, ouvi um rapper no metro afirmando que existe uma grande diferença entre medo e pânico. O medo nos prepara para o futuro. O pânico nos paralisa.

Sentir medo e não paralisar de ir em direção ao que é importante para você, saca?

Claro que, todos nós migramos em condições muito diversas, e temos acesso a recursos diferentes para lidar com a realidade, sejam recursos internos quanto externos.

No entanto, o medo, como qualquer outra emoção, tem sempre uma lógica. Tem algo nele que faz muito sentido. Pois emoções são informações sobre o que está acontecendo conosco e com o nosso entorno. Tipo quando estamos queimando nosso dedo e sentimos dor, sabe? É nosso corpo nos avisando de uma ameaça e nos protegendo. Agora imagina isso a nível psicológico. 

Logo, uma situação, real ou imaginada por nós, produz sensações em nós e nos informa. Então, essa ameaça seja real, imaginada ou antecipada, como está sendo alimentada? 

Do que você tem medo, exatamente? Descreva seus medos. Escreva em um papel. Trabalhe seu auto-conhecimento.

Sobre as coisas importantes

Como não deixar o medo atrapalhar nossas tomadas de decisão?

Eu diria que as respostas não estão tanto no medo e sim, mais na decisão. É saber se essa decisão como um todo, o que vai vir ou não com ela, te aproxima ao que é importante para você. Se essa decisão faz muito sentido para você, se está alinhada com os seus valores.

Nesse sentido, ouvi da minha terapeuta que, justamente, são as coisas mais importantes para nós, as que mais mexem com a gente. Inclusive de maneira desagradável.

As coisas nem tão importantes assim, tanto faz, dá igual.

Mas podemos sim trabalhar para diminuir esse medo, entender o que ele está querendo te comunicar. Assim como, aceitar que as emoções desagradáveis fazem parte da vida. A questão é: o que você vai fazer com isso? O que vai ser possível fazer neste momento?

terapia foi uma ferramenta que fez a minha jornada mais possível, e ainda faz. Como psicóloga, como pessoa e como viajante. 

Reconhecer as emoções. Enfrentar medos. Acolher essas companhias como der e aprender a se relacionar melhor com elas!

Finalizo dizendo “corajosa e medrosa” com aspas, para dizer que nosso valor não está nas emoções que sentimos. Porque somos muito mais do que sentimos

Nossas emoções não nos definem, tá bom? ✨

Por querer uma Psicologia sem fronteiras construímos o Intercambiamente: uma proposta de terapia online independente de onde você estiver, quando precisar.

Convido você a saber mais sobre a gente, navegando aqui pelo site e se sentir, marcar uma primeira conversa. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *