Da montanha russa de sentimentos ao desejo de voltar: primeiros meses como estudante nos Estados Unidos

Minha ida aos Estados Unidos foi uma escolha.

Minha ida aos Estados Unidos foi uma escolha (sim, escolha, como para a maioria, mas não se esqueçam que nem todos escolhem migrar). E que escolha. Fui para a terra do Tio Sam para realizar um sonho: construir uma vida nova, de forma independente enquanto estudava temas que amo. Antes de viajar, estava trabalhando como Psicóloga, vivendo uma vida confortável na minha cidade natal, perto da família e amigos. Fui embora porque quis, porque decidi que era o melhor naquele momento. Fui alegre, até mesmo eufórica, cheia de sonhos e dando pouca atenção para aquela ansiedade pré-viagem que já estava presente em mim. 

Me preparei com antecedência.

Fiquei em torno de 6 meses planejando a viagem: tinha um quarto reservado por um ano na cidade para a qual me mudei, seguro saúde e até alguns conhecidos na nova cidade adicionados pelo Facebook (viva aos grupos de brasileiros pelo mundo, né?). Pois é…nada disso impediu que os primeiros meses de vida tão longe de casa trouxessem sentimentos ambíguos, complexos, que não imaginei que viriam. Senti euforia, alegria, orgulho, medo, solidão, raiva, angústia, entre tantas outras sensações. Foi uma montanha russa, muito diferente da expectativa que havia criado. 

O choque cultural, a mudança para nova casa, o estar sozinha constantemente, a universidade, o novo ritmo de estudos, a demora para estabelecer amizades em um mundo que tem outras regras sociais…cada pequena mudança de contexto impactou de uma maneira que não esperava e que parecia que eu não podia permitir que impactasse (afinal de contas, eu tava vivendo o sonho de muitos, como assim eu não tava todo o dia SUPER FELIZ?).

No mesmo mês em que estava maravilhada conhecendo a universidade, começando as aulas no programa de mestrado eu também tinha noites mal dormidas para conseguir cumprir com as obrigações acadêmicas (com MUITA dificuldade no inglês) e finais de semana sozinha (coisa que sabemos que não é comum no Brasil, né?). Foi bem louco. E escrevo sobre esses sentimentos porque foram tão diferentes do que eu esperava, o que acabou fazendo ser mais difícil do que imaginei me adaptar.

Inclusive, cheguei a pensar em desistir e voltar para casa.

E no fim do mestrado, depois de passar dois meses trabalhando em uma ONG em Miami, acabei voltando mesmo, mas isso fica para outro post. Quando somos viajantes (ou não), as expectativas vêm porque são necessárias para nos motivar. Mas quando essas expectativas são exageradas, ou acabam pesando muito para nossa tomada de decisão, elas podem ser um caminho para frustrações. Se mudar para outro país é uma decisão que traz impactos em TODAS as esferas da nossa vida. É um privilégio, é uma oportunidade única, mas não é por isso que significa que será só felicidade. E quer saber? Tudo bem.

Você pode ter fotos lindas no Instagram de lugares incríveis que conheceu e ter dias péssimos no exterior. Assim como temos quando moramos em nosso país. Morar fora não é receita da felicidade diária. Tem custos que dependendo do que é importante pra você, podem pesar demais. O mais importante é encontrar equilíbrio entre o que sentimos, o que desejamos, e o que fazemos no contexto que estamos. Para entender que a montanha russa de sentimentos faz parte de ser viajante, mas será muito mais divertida se for feita com segurança (que pode ser conquistada com auto-conhecimento, planejamento e uma calibrada nessas expectativas).

Conta aí, como foram seus primeiros meses no país que você foi morar? Dias de luta, dias de glória ou os dois? Queremos saber TUDO!

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